Inteligência Estratégica - Jorge Hori, membro do PNBE
Mudanças das bases não refletidas nas cúpulas
Luiz Fernando Levy, criou em 1977, ainda pela Gazeta Mercantil, a eleição de líderes empresariais.
Dos dez eleitos, um era minerador (Tajano Azevedo Antunes), dois banqueiros (Olavo Setúbal e Amador Aguiar) e todos os demais industriais (Jorge Gerdau, José Mindlin, Antonio Ermirío de Moraes, Cláudio Bardella, Luiz Eurálio de Bueno Vidigal, Paulo Villares, Laerte Setúbal e Paulo Velinho).
O empresariado brasileiro reconhecia como líderes os industriais, complementados pelos dois principais banqueiros. O que fazia sentido, diante do bem sucedido processo da industrialização brasileira.
O setor primário era representado pela mineração privada, pois a CVRD, a maior, ainda era estatal. O setor agrícola, tinha perdido peso econômico e político, ainda que um grande exportador. Olacyr de Moraes, só aparece como líder, em 84 e Roberto Rodrigues, em 87.
O setor de serviços, mesmo já sendo predominante no PIB e nos empregos, não tinha nenhum lider empresarial reconhecido, inicialmente, pelos seus pares. Abílio Diniz, aparece em 79, e Arthur Sendas, em 80, representando o setor comercial.
O setor aparece ainda pelos publicitários Roberto Dualibi e Júlio César Ribeiro e pelos setor securitário com Nilton Molina e Luiz Campos Salles, para citar apenas aqueles que são “campeões do voto”.
O que são líderes empresariais?
Seriam aqueles que na condução das suas empresas ou grupos empresariais são bem sucedidos, promovendo o crescimento dos mesmos, e sendo reconhecidos como paradigmas de empresários nacionais. Nesse visão Olavo Egydio Setúbal, Jorge Gerdau Johannpeter e Antonio Ermírio de Moraes, ainda comandam ou influenciam no comando de algum dos maiores grupos empresariais brasileiros.
Seriam também aqueles que tem maior poder de influência sobre as políticas públicas, o que pode decorrer das suas proposições, da sua capacidade de mobilização e adesão às suas propostas, ou de atuação junto ao Poder Público.
A FIESP sempre teve posição importante, nessa última modalidade e seu Presidente reconhecido como líder empresarial. O descolamento do governo, buscando maior independência e se opondo à prorrogação da CPMF, vem enfraquecendo a liderança de Paulo Skaff. Ao mesmo tempo, que cresce junto ao Governo a posição de Paulo Godoy, da ABDIB. Representa a cadeia produtiva dos empreendimentos de infra-estrutura.
O setor do agronegócio tinha em Roberto Rodrigues o seu principal líder empresarial, que o levou ao governo, como Ministro da Agricultura, mas acabou saindo por não conseguir vencer a tecnocracia fazendária, incapaz de reconhecer a importância estratégica da atuação governamental no setor.
Já o setor de serviços, em que pesa a sua importância dentro do PIB e dos empregos continua sem lideranças fortes, seja pelo sucesso empresarial como pelo poder de influência.
No mundo os novos grandes líderes são do setor de conhecimento. Um segmento diferenciado dentro do próprio setor de serviços. Bil Gates, os meninos do Yahoo ou da Google são os novos paradigmas. No segmento, o Brasil não apresentou nenhum líder forte e reconhecido.
Uma das razões apontadas é que o setor é ainda muito difuso, com centenas ou milhares de empresas de pequeno e médio porto, não contando ainda com empresas de grande porte. As que tem esse porte são subsidiárias de multinacionais.
O fato real é que as bases empresariais carecem de líderes visíveis.
O mundo empresarial como é mostrado e conhecido pela mídia e, consequentemente, pela sociedade organizada, não reflete a sua realidade. Mais por responsabilidade dos próprios empresários do que dos meios de comunicações.
O que é preciso fazer, ou acontecer para a emergência de líderes empresariais do setor de serviços?
Essa é a pergunta que ficou, como lição de casa, após uma reunião do PNBE com Luiz Fernando Levy, o Presidente do Conselho Curador do Fórum de Líderes.
| Hits para esta publicação: 259
Deixe uma resposta.








