Cena Executiva: Entrevista de recrutamento 2
(Cenário: sala de entrevista, mesa de reunião, 6 cadeiras. Sentado atrás da mesa um senhor, Entrevistador, sentado à sua frente e de lado para a platéia, um jovem, com cara e roupa de entrevistado.)
A entrevista parece fluir bem, quase na normalidade. A dificuldade de comunicação, normal em entrevistas, parece pequena.
Sobe o pano
Diálogo:
Entrevistador: E então, meu jovem, Por que você está querendo sair?
Jovem Entrevistado: Eu? Bem, eu “acho” que “tô” sem muita chance, né… depois que trocaram o diretor financeiro, a coisa ficou muito confusa, …. quer dizer….. a gente “tá” sempre fazendo as coisas do mesmo jeito que fazia mas ele nunca aceita ..né? Num sei… “tá” difícil …sabe como é, né…
E.: Hum hum! Interessante…. - Fale um pouco mais de sua empresa, dessa situação e de seu Chefe.
J.E.: Bem…. eu gostaria de poder dizer que gostaria muito de continuar a trabalhar lá, mas com o chefe atual “num tá dando mais”. Ele “tá” trazendo um monte de gente e nós, os antigos, estamos ficando para trás, aliás, eu sempre falei isso… não dá para trabalhar com este tipo de gente…. a empresa vai se dar mal… o senhor não acha???
Entrevistador levantando e formalmente se despedindo: Obrigado, nós entraremos em contato.
Jovem Entrevistado se despede e sai devagar e inseguro, e o Entrevistador fica sozinho na cena.
E.: Meu Deus, mais um que ficou pra trás!
(Cai o pano rapidamente)
(Por trás dos panos)
“lo que pasa” é que muitos executivos, quando um bom entrevistador os conduz, acabam se “soltando” e acabam demonstrando muito ressentimento e mágoa. É pior ainda quando foram demitidos e estão buscando novas oportunidades. Perguntas sobre empresa e chefia em uma entrevista são clássicas e tem como objetivo avaliar a capacidade de julgamento e adaptação aos requisitos de uma empresa e equipe. Nunca é razão para “falar verdades”, e muito menos mostrar que foi injustiçado. Ninguém gosta de ouvir crítica, nem explicações de derrotas.
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