A importância da comunicação nos processos de mudança
Gilberto Guimarães - Valor Econômico - 30/06/2008
Nos momentos de reestruturação, a maior parte das empresas prioriza as análises técnicas, ou seja, financeiras e industriais, além de pesar as conseqüências para suas estratégias. Apenas no último momento, pouco antes de anunciar a reorganização aos empregados e aos parceiros sociais, políticos e administrativos, é que se decide tratar da comunicação.
Estratégia errada. Um dirigente não pode promover uma reestruturação sem preparar a comunicação que irá sustentar sua realização. Pesquisas mostram que 50% do sucesso de um projeto deste tipo está vinculado à comunicação. Quanto mais a empresa for conhecida, maior deverá ser o cuidado na hora de comunicar.
Alguns executivos optam por abrir bem cedo o canal de comunicação. Alternativa que obriga os gestores da mudança a explicarem suas decisões, com a vantagem de permitir avaliações sobre diferentes cenários e possibilidades. Escolher uma comunicação proativa e ter tempo para desenvolver os instrumentos de comunicação, antes de entrar no período de turbulências, evita contratempos.
A percepção sobre o que os empregados terão na orientação da empresa, nas decisões de sua direção e, sobretudo, na mudança pela qual vai passar sua vida profissional será construída a partir de mecanismos frágeis; uma mistura das fontes de informação formais e informais, oficiais ou não. O conteúdo da intervenção oral de um chefe na frente da equipe será apenas parte das informações percebidas pelos empregados.
Provavelmente, os outros pequenos detalhes comunicam mais: gestos e olhares, tom de voz, postura, forma como o convite foi apresentado. O risco é que esses pequenos detalhes ou atos falhos na comunicação tornem-se símbolos comprometedores do bom funcionamento da mesma. É conveniente que a liderança do processo ocupe, o mais depressa possível, o espaço da comunicação para não deixar os empregados sem pontos de apoio quando os boatos e as fofocas se intensificarem.
A legislação trabalhista e a atuação sindical acabam criando temores e constrangimentos quanto ao que e como comunicar, mas isto não pode impedir que os líderes avancem na exposição dos objetivos e das conseqüências em médio e longo prazo. Quais as perspectivas de desenvolvimento para a empresa? Por que certas mudanças são inevitáveis?
Ao comunicar a visão, na tentativa de explicar os constrangimentos de mercado, esforçando-se para estar presentes, os líderes darão sinais de uma direção preocupada em apoiar seus empregados. Não é criar uma abordagem manipuladora e sim estabelecer etapas educativas que ajudem os empregados a decifrar as informações dadas durante o anúncio.
Outra dificuldade para o líder é gerenciar a defasagem de informação com os colaboradores. Muito antes da fase de implantação, eles já se preparam para o processo, passando por uma fase de compreensão do que vai acontecer, durante meses de trabalho, horas de reunião. Assim, a reestruturação se torna natural para eles. O que não acontece com o resto da empresa, por não terem acesso a mesma quantidade de informações.
O objetivo é chegar ao ponto em que cada um possa compreender a urgência de agir. Alguns demonstrarão hostilidade, o que é normal, pois é difícil aderir de imediato perspectivas constrangedoras. A maioria precisa de mais tempo e informação.
É fundamental que se criem oportunidades e esquemas que permitam aos empregados colocar suas dúvidas, perguntas, expor sua percepção do problema, exprimir suas críticas, incompreensão e, às vezes, sua angústia.
Levar em conta o tempo necessário para que cada um possa se integrar ao novo ambiente, ajudar a empresa a reagir aos diferentes acontecimentos que permeiam o desenrolar do projeto, incluindo a fase de preparação, deixar claras as intenções da empresa por meio de ações concretas são tarefas do responsável pela comunicação.
Mas não se trata de deixar a tarefa para um diretor de comunicação e sim de designar alguém que possa se ocupar de modo permanente desse desafio durante a operação. Numa reestruturação, o diretor de recursos humanos é um personagem-chave.
A reestruturação só terá a ganhar se esse personagem também se engajar pessoalmente na execução da comunicação. Em períodos de mudança, a gestão dos empregados e a comunicação estão intimamente ligadas.
Gilberto Guimarães é diretor da BPI
DROPS Economia:
Aumento de 8% no valor do bolsa família é inflacionário e vai pressionar a demanda por produtos básicos.
- Reajuste salarial continua acima da inflação em 2008.
- Petróleo alimenta a inflação e economia mundial corre riscos.
- Na reunião de bancos centrais, países industrializados acusam nações em desenvolvimento de elevar preço dos alimentos. Solução seria elevar juros para conter a demanda; emergentes reagem dizendo que população paga por subsistência.
- “Apagão” do gás ameaça a expansão industrial no país. Setores químico, cerâmico, têxtil e de vidro abandonam planos de investimento. Comgás, a maior distribuidora do país, cancela negociações para vender mais gás em SP; situação se repete no Rio
- Contadores e consultores tributários de quase 400 mil empresas brasileiras estão mobilizados hoje para cumprir o prazo de entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais de Pessoa Jurídica.
- Real Conversível: A Medida Provisória 435, publicada no “Diário Oficial” da União na última sexta-feira, autoriza os bancos brasileiros a cumprirem ordens de pagamento do exterior em reais.
- Internet: Mais de 41 milhões de brasileiros tiveram acesso à internet no primeiro trimestre, em qualquer ambiente (casa, escritório etc.), segundo o Ibope NetRatings. É o maior número já alcançado desde setembro de 2000.
- Advogados do governo paulista encontraram uma possível saída para retomar o leilão da Cesp. Portaria ministerial de 2004 estenderia as concessões de Ilha Solteira e Jupiá até 2024.
DROPS Empresas:
- A Usiminas comprou em leilão, por R$ 72 milhões, o terreno que pertencia à massa falida da Ingá, em Itaguaí (RJ). A siderúrgica pretende construir um terminal portuário no local.
- Goodyear vai investir US$ 200 milhões no país. Recursos serão usados na ampliação e modernização das fábricas de São Paulo e Americana.
- Gerdau: André Gerdau, principal executivo da Gerdau, que assumiu o cargo há 18 meses, pretende se expandir na Ásia, no Oriente Médio e na Europa para transformar a companhia em uma produtora mundial de aço, informou a Bloomberg.
- Sony: Desaceleração econômica afeta resultado da Sony Ericsson. A empresa alertou que vai apenas empatar a receita e as despesas no segundo trimestre, devido às fracas vendas na Europa de seus telefones celulares de alto e médio desempenhos.
- A Anheuser-Busch (AB) pretende eliminar 1,29 mil empregos este ano como parte de um plano para impulsionar seu desempenho. Na sexta-feira, a fabricante americana da cerveja Budweiser informou que cortará US$ 1 bilhão em custos até 2010, com o grosso nos próximos dois anos.
- A corretora Marsh e a Munich Re fecharam a primeira apólice do mercado de resseguro após o fim do monopólio estatal no setor.
- A Coca-Cola Femsa concluiu a compra da Refrigerantes Minas Gerais Ltda (Remil) da Coca-Cola Company, por US$ 364,1 milhões.
- A Nexans divulgou na sexta-feira o fechamento de um acordo para a aquisição da italiana Intercond, um dos principais fabricantes europeus de cabos especiais para o setor de indústria e atividades submarinas.
- Siemens demitirá 17,2 mil pessoas para enfrentar a GE.
- General Motors: GM perde a liderança nas vendas para Toyota nos EUA.
- Goodyear foca em rentabilidade e redução de custos.
DROPS Eventos:
- Começa amanhã, em São Paulo, a 40ª edição da Francal, feira nacional de calçados.
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