A BUSCA DE NOVAS OPORTUNIDADES DE CARREIRA, A REALIDADE ATUAL
Artigo de Gilberto Guimarães
Quando surgiu nos USA, nos início dos anos setenta, o outplacement era o termo usado para descrever os esforços feitos por uma companhia para apoiar os seus empregados desligados, em processos de “downsizing”, na transição da carreira para reinseri-los no mercado de trabalho. Era mais um benefício. Para tal as companhias passaram a contratar as primeiras empresas especializadas.
Na época e ainda por muitos anos depois o processo era baseado no conceito de que o “problema” maior para encontrar uma nova oportunidade era a “dificuldade” de transmissão de informações entre os dois lados, aqueles que buscavam emprego e as empresas que buscavam profissionais. Afinal, viviam-se tempos de pleno emprego com taxas de desemprego inferiores a 4,5%. O desemprego era friccional. Nesse esquema o “apoio” dado por empresas de outplacement era focado na exposição do profissional e na preparação do CV e para as entrevistas. O “networking” era visto como um dos meios mais importantes e essenciais. Afinal, as pessoas estavam desempregadas, mas não eram desempregadas. Cedo ou tarde achariam um novo emprego dos sonhos.
No tempo entre o emprego perdido e o novo as empresas de outplacement disponibilizavam réplicas de escritório, dando aos profissionais a sensação de continuidade e provendo a eles um suporte administrativo e logístico. Algum apoio informático e muitas revistas, publicações e jornais, para prospectar classificados.
A partir dos anos oitenta, no entanto, o mundo econômico entrou em tempos de grandes mudanças com aumento da quantidade de reestruturações, e com eliminação de redundâncias pós-fusões e incorporações. O nível de desemprego subiu e nem mesmo mais os Estados Unidos e Inglaterra conseguiram manter um certo nível de pleno emprego. O apoio do outplacement passa a ser absolutamente essencial. Com desemprego elevado, rede de contato perde efeito. A nova “lei” de mercado passa a ser “ou eu ou você”. Network se transforma em meio de acesso e não critério de busca.
Em paralelo a difusão do uso da Internet e da comunicação através de celular transformou completamente a transmissão das informações. Sites especialistas, redes de relacionamento e comunidades específicas passaram a ser o fator mais importante na busca de profissionais e consequentemente de empregos. A evolução do uso e o barateamento dos custos expandiram a criação de verdadeiros “home offices”, e todos profissionais passaram a ter acesso ao mundo e as informações a partir de suas casas.
Para que então “perder” tempo no trânsito das grandes cidades para ir a um local chique para “simular” um escritório ou usar uma infraestrutura informática? Nos espaços das empresas de outplacement não se faz networking. Melhor usar o tempo em eventos do setor específico, em busca de informações e atualização. Manter-se informado e visível.
Ir ao escritório de outplacement é importante e fundamental apenas para buscar apoio técnico e pessoal de um consultor especialista e para montar planos de ação e estruturar pesquisa e prospecção de oportunidades. Os demais contatos podem e devem ser feitos por meios mais simples e rápidos via celular ou internet.
As principais empresas multinacionais de outplacement optaram métodos e caminhos mais modernos e flexíveis; estruturaram sites de apoio e de informação como, por exemplo, o “BPI online”, o “Polinfo”, o blog “Mercado News”, criaram grupos e comunidades como o Clube BPI, fomentaram parcerias com câmaras de comércio, instituições de pesquisa e ensino e passaram a atender em escritórios montados capilarmente, de forma a estarem sempre mais próximos dos profissionais. Quem se move é a empresa, é o consultor. Assim é o novo outplacement. Atuando em várias frentes, abrindo várias portas, expondo, fazendo palestras, usando todas as mídias, enfim, aproveitando de todas as alternativas que esses novos tempos permitem.
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