Arquivo da categoria ‘Artigos Indicados’

Brasil credor internacional: euforia e cautela!

O Banco Central informa: as reservas cambiais do Brasil ultrapassaram, em volume, nossa dívida externa, pública e privada. Somos credores em moeda-forte. Este acontecimento histórico significa musculatura para enfrentarmos as constantes crises internacionais, em especial crises de liquidez.

Fernando Blanco adverte: a dívida é dada, imutável, e seu serviço (pagamento de principal e dos juros) têm data para ser pago. Em outras palavras, temos a certeza que haverá demanda por dólares que estes sejam repatriados para os agentes que nos financiaram no passado.

Por outro lado, as reservas não são estáveis; são flutuantes, para cima e para baixo. E também não são controláveis. Aliás, em tese, sequer pertencem ao Banco Central, pois este funciona como o guardião de um “produto” (o dólar) que qualquer pessoa, “na física” ou “na jurídica”, pode comprar e enviá-lo para o exterior. Os exemplos abundam: quando viajamos a turismo ou a trabalho para o exterior, quando um grande grupo local compra uma empresa no exterior, ou ainda quando uma multinacional instalada no país paga dividendos ou um empréstimo inter-company para sua matriz. A lista é longa.

Os fatores acima citados, “de varejo”, não são de risco. O risco – e dos grandes – adviria de um cenário, daqueles ventilados por Nouriel Roubini. Confira em www.rgemonitor.com e conheçam esta versão moderna de Dante Alighieri e Nostradamus. Estamos falando de recessão generalizada nos EUA, com quebra de bancos, investidores retraídos investindo apenas em títulos públicos, retração do comércio global, e por aí segue.

Este cenário colocaria o Brasil em rota de colisão com os “fatores de atacado”, tipo drástica redução do superávit comercial por conta da baixa nos preços das commodities, retração de investimentos internacionais e fechamento dos mercados de capitais e financeiros.

Neste quadro, haveria sim uma queda drástica em nossas reservas e, como conseqüência, alguma desvalorização cambial. Tudo isso pouco provável, mas não impossível dadas às incertezas que insistem em pairar sobre os céus americanos.

Contribuição para o blog de Fernando Blanco: Presidente da Coface Brasil. Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas. Mestrado em International Banking & Financial Studies na Heriot-Watt University (Edinburgh/Escócia). 24 anos de carreira, atuando em grandes corporações multinacionais no mercado financeiro: Barclays Bank - Credit Manager, ING – Diretor de Crédito & Risk Management, e Clientes Corporate, ABN AMRO – Diretor Executivo de Corporate e Middle Market.

Sem comentários »

Mudar de emprego dá o maior trabalho, prepare-se

Fonte: Jornal Valor Econômico - 26/11/2007

A idéia de planejar uma mudança de emprego ou de carreira (como empreendedor, por exemplo) ainda é novidade para muitos profissionais e poucos têm a real noção do que significa na prática. Às vezes, mergulha-se de cabeça na primeira oportunidade de mudança e descobre-se, pouco tempo depois, que nem tudo que reluz é ouro. Mudar de emprego dá trabalho e se não for assim, é bom ficar atento.
A transição entre empregos ou carreiras pode e deve ser encarada como um projeto que tem início, meio e fim. Simplesmente mergulhar de cabeça numa mudança dessa magnitude sem cumprir etapas importantes deste projeto, pode gerar insatisfação, perda de tempo, frustração, desgastes desnecessários e, óbvio, re-trabalho.
Uma das fases mais importantes deste projeto é o diagnóstico da situação atual. Ter claro os elementos que mais o caracterizam hoje é fundamental, pois estes servirão de base comparativa para todas as novas oportunidades que aparecerem. Requer tempo e disciplina para que a análise seja isenta dos problemas pontuais e diários que todos têm e que, em maior ou menor dose, sempre existirão como parte intrínseca de qualquer emprego ou carreira.
O que gera a insatisfação com o emprego atual? É o trabalho em si? Ou são as relações estabelecidas entre os pares, superiores ou subordinados? Valores e princípios pessoais e corporativos colidem diariamente? As perspectivas são menores que as pretendidas? A família está pagando um preço alto pela sua demanda profissional? Enfim, estas são apenas algumas das perguntas que podem ajudar a resolver uma das grandes armadilhas da transição profissional que é o querer sair da empresa “x” ou querer, de fato, trabalhar na empresa “y”. Muitas vezes quando só “querer sair” é verdadeiro, trata-se apenas do fugir da situação atual (e muitas vezes sem tentar resolvê-la) e aí qualquer nova oportunidade pode parecer muito melhor. É importante que o “querer trabalhar” na outra empresa também seja verdadeiro.
Quando esta parte do projeto estiver pronta e a resposta estiver fora da empresa atual, é hora de olhar no mercado o comportamento de outras empresas. Como? Através de seus produtos, menções na mídia em geral, publicidade, clientes, fornecedores e principalmente, dos funcionários. As pessoas de uma empresa dizem muito sobre ela e não apenas falando ou escrevendo. O seu comportamento é um grande sinalizador dos princípios e dos demais elementos que a empresa realmente valoriza. E como fazer contato com as pessoas de uma determinada empresa? É um bom momento para colocar em ação o famoso networking- alguém que conhece alguém que trabalha na empresa que você procura.
Estamos acostumados à premissa de que é a empresa quem escolhe um profissional, mas esta crença precisa ser ampliada. Ao iniciar o relacionamento com uma nova empresa, seja através de um headhunter ou de seus executivos, inicia-se o processo de recrutamento e seleção em mão dupla. Um profissional obrigatoriamente deve selecionar a empresa durante sua transição a ponto de declinar ou não de um processo em função das suas constatações. É nas atribuições e atitudes investigativas do candidato que o processo deixa de ser mão dupla.
Muitas vezes não ser assim (investigativo) tem relação com a crença de estar numa posição inferior ou a não querer ser chato ou mal visto pela empresa. E aí perguntas importantes deixam de ser feitas pelo candidato durante o processo de transição, como estas: é uma posição nova na estrutura da empresa? Dá idéia do quanto você terá que trabalhar para mostrar resultados e o quanto de liberdade você terá ou não para criar novos processos, relações, produtos, serviços, entre outros.
É uma substituição? Se sim, vale a pena investigar a razão da troca e para onde foi o antigo ocupante. Saber isto pode dar uma idéia da velocidade de crescimento das pessoas na empresa ou tamanho da paciência, quando os resultados não aparecem. O cargo ainda está ocupado? Esta informação sempre deve ser fornecida pelo condutor do processo a fim de garantir confidencialidade e transição segura, mas quando não o fazem, busque-a. Evite comentar e causar uma situação desconfortável para todos os lados. Lembre-se que o mercado é pequeno e as informações correm rapidamente. quanto tempo ficou no cargo o antigo ocupante? Esta informação pode sugerir vários pontos de atenção, entre eles se a empresa re-trabalha muito a posição, se o perfil foi desenhado corretamente ou se há algo mais sério internamente. Turnover alto também significa erro de gestão de pessoas. A culpa não é só dos candidatos.
Como o processo de transição pode levar bastante tempo é estratégico usar este tempo para explorar e buscar no mercado informações. Planejar a transição pode levar um profissional a diversas conclusões, entre elas, que seu atual ambiente de trabalho é melhor que muitos outros que o mercado oferece. O fato é que, independente do ambiente de trabalho, os problemas que incomodam precisam ser enfrentados antes que cheguem numa situação insuportável.
Sempre fazemos parte dos problemas e das soluções. Ninguém é só problema e ninguém é só solução o tempo todo. O difícil é ver com clareza o cotidiano. Mergulhamos tanto nas atividades e nas rotinas que nos esquecemos de refletir e buscar estrategicamente um jeito diferente de fazer a mesma coisa.
Muitas vezes tirar o fio da tomada por algum tempo pode ajudar. Desligar-se temporariamente para reorganizar a vida em geral, inclusive a carreira, é uma excelente ferramenta de apoio para tomada de decisão. Pode começar pequeno, com um dia de folga, depois com uma emenda de feriado, mais tarde com férias merecidas esticadas e por que não, um período sabático mais longo.

Escrito por Marco A. Quége - coordenador geral dos Certificates e da Educação Executiva do Ibmec São Paulo

Sem comentários »

As bolsas no Brasil e em Nova York operaram à deriva nesta sexta-feira. As várias tentativas de recuperação feitas ao longo do dia não vingaram, já que continuam pesando sobre as operações as preocupações com os efeitos da crise do subprime sobre o resultado das instituições financeiras e com o potencial estrago que estes podem causar sobre a economia norte-americana.

Estimativas de perdas contábeis do UBS e do Barclays e os discursos pessimistas de dirigentes do Fed em relação a uma nova redução na taxa dos Fed Funds foram algumas das notícias que adicionaram incertezas aos negócios. Enquanto perdurar esse cenario de incerteza, manteremos cautela nas aplicacoes optando por investir atraves de renda fixa curtissimo prazo e para os que desejam buscar uma taxa um pouco mais expressive com risco controlado, atraves de notas estruturadas ao inves de investimentos diretos em renda variavel.

Sem comentários »

Erros e equívocos atuais comprometem o futuro do Brasil?

A economia brasileira está crescendo e deverá continuar crescendo, apesar de um conjunto e erros e equívocos atuais.
Não se erra de própósito, mas por querer acertar. Só que as boas intenções, em geral, são maquiqueistas e míopes, vendo apenas uma reação, contrária a atual, não percebendo as demais alternativas. Essas podem levar a outros resultados, piorando a situação que se pretendeu consertar.
É o caso das alterações da lei de estágio, na qual se procura caracterizar os estágio como um emprego. Para evitar as eventuais fraudes que tem sido flagradas pela fiscalização. Para muitas empresas, o estágio tem sido uma forma de contratação de mão-de-obra mais barata. Mas ao encarecer, por força da nova leigslação, a resposta não será - necessariamente - o pagamento melhor, mas a contratação de trabalhadores mais experientes, que possam ter maior produtividade e sem necessidade de custos de formação e treinamento. O estágio é uma forma de superar o dilema oposto do Tostines: o jovem não consegue emprego porque não tem experiência, e não tem experiência porque não consegue emprego. As condições para conseguir o primeiro trabalho vão piorar para os jovens, em geral. Os que conseguirem o estágio poderão ser melhor remunerados, mas a maior parte ficará sem esse. A opção real do mercado de trabalho não é ter um estágio com boa ou má retribuição, mas ter ou não ter.

Vai ter menos (menas, menas…).

Jorge Hori - Inteligência Estratégica
http://cndpla.blog.uol.com.br

Sem comentários »

Inteligência Estratégica - Jorge Hori, membro do PNBE

Mudanças das bases não refletidas nas cúpulas

Luiz Fernando Levy, criou em 1977, ainda pela Gazeta Mercantil, a eleição de líderes empresariais.

Dos dez eleitos, um era minerador (Tajano Azevedo Antunes), dois banqueiros (Olavo Setúbal e Amador Aguiar) e todos os demais industriais (Jorge Gerdau, José Mindlin, Antonio Ermirío de Moraes, Cláudio Bardella, Luiz Eurálio de Bueno Vidigal, Paulo Villares, Laerte Setúbal e Paulo Velinho).

O empresariado brasileiro reconhecia como líderes os industriais, complementados pelos dois principais banqueiros. O que fazia sentido, diante do bem sucedido processo da industrialização brasileira.

O setor primário era representado pela mineração privada, pois a CVRD, a maior, ainda era estatal. O setor agrícola, tinha perdido peso econômico e político, ainda que um grande exportador. Olacyr de Moraes, só aparece como líder, em 84 e Roberto Rodrigues, em 87.

O setor de serviços, mesmo já sendo predominante no PIB e nos empregos, não tinha nenhum lider empresarial reconhecido, inicialmente, pelos seus pares. Abílio Diniz, aparece em 79, e Arthur Sendas, em 80, representando o setor comercial.

O setor aparece ainda pelos publicitários Roberto Dualibi e Júlio César Ribeiro e pelos setor securitário com Nilton Molina e Luiz Campos Salles, para citar apenas aqueles que são “campeões do voto”.

O que são líderes empresariais?

Seriam aqueles que na condução das suas empresas ou grupos empresariais são bem sucedidos, promovendo o crescimento dos mesmos, e sendo reconhecidos como paradigmas de empresários nacionais. Nesse visão Olavo Egydio Setúbal, Jorge Gerdau Johannpeter e Antonio Ermírio de Moraes, ainda comandam ou influenciam no comando de algum dos maiores grupos empresariais brasileiros.

Seriam também aqueles que tem maior poder de influência sobre as políticas públicas, o que pode decorrer das suas proposições, da sua capacidade de mobilização e adesão às suas propostas, ou de atuação junto ao Poder Público.

A FIESP sempre teve posição importante, nessa última modalidade e seu Presidente reconhecido como líder empresarial. O descolamento do governo, buscando maior independência e se opondo à prorrogação da CPMF, vem enfraquecendo a liderança de Paulo Skaff. Ao mesmo tempo, que cresce junto ao Governo a posição de Paulo Godoy, da ABDIB. Representa a cadeia produtiva dos empreendimentos de infra-estrutura.

O setor do agronegócio tinha em Roberto Rodrigues o seu principal líder empresarial, que o levou ao governo, como Ministro da Agricultura, mas acabou saindo por não conseguir vencer a tecnocracia fazendária, incapaz de reconhecer a importância estratégica da atuação governamental no setor.

Já o setor de serviços, em que pesa a sua importância dentro do PIB e dos empregos continua sem lideranças fortes, seja pelo sucesso empresarial como pelo poder de influência.

No mundo os novos grandes líderes são do setor de conhecimento. Um segmento diferenciado dentro do próprio setor de serviços. Bil Gates, os meninos do Yahoo ou da Google são os novos paradigmas. No segmento, o Brasil não apresentou nenhum líder forte e reconhecido.

Uma das razões apontadas é que o setor é ainda muito difuso, com centenas ou milhares de empresas de pequeno e médio porto, não contando ainda com empresas de grande porte. As que tem esse porte são subsidiárias de multinacionais.

O fato real é que as bases empresariais carecem de líderes visíveis.

O mundo empresarial como é mostrado e conhecido pela mídia e, consequentemente, pela sociedade organizada, não reflete a sua realidade. Mais por responsabilidade dos próprios empresários do que dos meios de comunicações.

O que é preciso fazer, ou acontecer para a emergência de líderes empresariais do setor de serviços?

Essa é a pergunta que ficou, como lição de casa, após uma reunião do PNBE com Luiz Fernando Levy, o Presidente do Conselho Curador do Fórum de Líderes.

Sem comentários »