Arquivo da categoria ‘Comentários & Opiniões’
CEO – Profissão Perigo: Heranças, Pressões e Imagens
Nada invejável é a vida de Jeffrey Immelt… lembram dele? Ele substitui Jack Welch na GE.
Inevitáveis comparações.
O mais difícil é que dirige o “transatlântico” em plena tempestade, muito diferente daqueles bons tempos do seu antecessor.
Agora ele está sendo obrigado a vender a divisão de eletrodomésticos, que criou o “ícone” do american way of life: a velha geladeira GE, branca, com pingüim em cima. Além disso, a divisão de Healthcare atravessa a pior fase de sua história, e, por ironia, esta é a divisão de origem da carreira profissional de Immelt. Em breve, novos fechamentos ou vendas.
Lembram do filme “Rebecca - A mulher inesquecível” , de Hitchcock? É impossível substituir a imagem onírica e idealizada de uma falecida ex-esposa.
From Wall Street, N.Y. (Phd. Fernando de Almeida, FIA):
Laptop Program, Microsoft Team Up
The struggling One Laptop Per Child Project has signed a deal with Microsoft to use Windows on its machines in an effort to stage a turnaround. The agreement has sparked outrage among some of the project’s founding members. In an agreement announced Thursday, OLPC will begin testing its laptop running Windows XP and other proprietary Microsoft software in several developing countries next month. The test machines will be Windows-only, with Microsoft selling the operating system to OLPC.
Macy’s Brings in FAO Schwarz
Macy’s is planning to open FAO Schwarz toy boutiques in all 685 Macy’s stores that carry children’s clothing. The venture is part of a broader trend in which big retailers are teaming up with specialty merchants to create stores within stores.
DROPS Empresas:
Como previsto no CEO: Profissão Perigo:
Icahn quer reviver fusão Yahoo-Microsoft. O investidor Carl Icahn protocolou, ontem, uma proposta de votação dos acionistas para derrubar o conselho de administração do Yahoo Inc., acusando seus membros de agir “irracionalmente”. A cartada abre caminho para o que pode ser uma longa batalha pelo controle da companhia de internet.
- Alcatel-Lucent: A Alcatel-Lucent prepara-se para uma assembléia anual tempestuosa no fim deste mês. Os acionistas estão furiosos com a forma como a companhia conseguiu perder € 20 bilhões de seu valor de mercado nos dois anos de mercado nos dois anos desde que foi criada com a fusão entre a Alcatel da França, e a Lucent, dos Estados Unidos. Múltiplos alertas sobre quedas nos lucros deixaram o veterano presidente do conselho de administração da companhia, o francês Serge Tchusruk, e a executiva-chefe, a americana Pat Russo, sob pressão intensa.
- Comsat: A Comcast, quarta maior operadora de TV a cabo dos EUA, acertou a compra da Plaxo, que opera um serviço de agenda on-line, usado por mais de 40 milhões de pessoas. O objetivo da Comcast, informou a Bloomberg, é expandir-se em meio às redes sociais e permitir que seus clientes possam, por exemplo, compartilhar informações sobre suas atrações favoritas.
- Motorola: A Motorola deverá perder, neste ano, a liderança no mercado de celulares nos EUA, informaram as companhias de pesquisas IDC e Strategy Analytics. No primeiro trimestre, a fatia da empresa caiu para 25% em seu mercado doméstico, segundo o IDC. As coreanas Samsung e LG subiram para 21% cada. Nesse ritmo, a Motorola perderá a primeira colocação no país antes do fim de 2008.
- CBS: A CBS, rede de TV americana, anunciou ontem ter fechado um acordo de US$ 1,8 bilhão em dinheiro para adquirir a CNET Networks, operadora de um site de tecnologia e entretenimento.
- Nestlé: Ao contrário da maioria das indústrias de alimentos brasileiras, os preços da Nestlé no Brasil não devem aumentar nos próximos meses.
- Starbucks: A expansão da Starbucks fora de São Paulo começou. A rede abre no fim de junho sua unidade no shopping Iguatemi, em Campinas. Será junto à loja Saraiva, num modelo semelhante ao shopping Morumbi. Esta é a décima primeira loja da rede que pretende ter de cinco a oito novos pontos próprios ao fim de 2008.
- SABMiller: A SABMiller divulgou um crescimento de 23% no lucro do ano fiscal encerrado em março, que chegou a US$ 2 bilhões. A cervejaria britânica atribuiu o resultado ao forte crescimento das vendas na Europa Ocidental, China e América Latina.
- RIM: A RIM, fabricante canadense do celular inteligente BlackBerry, tem planos de lançar um aparelho com tela de toque para concorrer melhor com o iPhone da Apple, disseram pessoas a par da situação. O aparelho seria vendido pela operadora Verizon nos EUA e Vodafone no resto do mundo.
- Abril: A Abril Educação, dona das editoras Ática e Scipione, está com novo diretor-geral, Mauro Calliari, funcionário da Abril desde 1993. Calliari substituiu João Arinos, que deixou o grupo. A saída do executivo reforça ainda mais os rumores de que a Abril planeja se desfazer das duas editoras de livros didáticos. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, o “Grupo Abril não comenta e nem informa nada que seja de caráter especulativo”.
- Alpargatas: O grupo Alpargatas fechou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 22,5 milhões, 61,5% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.
- Friboi I: Friboi fecha primeiro trimestre com prejuízo de R$ 6,6 milhões. Embargo europeu às exportações brasileiras de carne foi um dos motivos para o resultado negativo.
- Friboi II: A JBS, controladora da Friboi, ameaça demitir 1,5 mil pessoas em suas unidades na Argentina, onde emprega 4,5 mil, se o governo mantiver as restrições às exportações.
- Magazine Luiza: M. Luiza abrirá 50 lojas em um dia na Grande São Paulo.
DROPS Economia:
- “No médio prazo, deve haver interferência da alta dos juros sobre a geração de empregos na indústria”. Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp.
- Banco Popular: Criado em 2003 como parte do esforço do governo para democratizar o crédito e bancarizar a população, o Banco Popular do Brasil, subsidiária do Banco do Brasil, será desativado – sem jamais ter dado lucro.
- Eletrodomésticos: A saída da General Electric (GE) do mercado de eletrodomésticos deve ter grande impacto nos Estados Unidos, onde se espera que o setor concentre-se ainda mais nas mãos dos grandes fabricantes mundiais. Fazem parte deste time não só Whirlpool (EUA) e Electrolux (Suécia), mas também os asiáticos Haier Group (China), LG e Samsung (Coréia). No Brasil e em toda a América Latina, os negócios de linha branca da GE já estão sob o comando do grupo Mabe, maior fabricante do setor no México.
- Editoras: A profissionalização do mercado editorial tem obrigado as empresas do setor a darem mais atenção a sua estratégia de marketing e focarem sua comunicação em determinados públicos.
- Jóias: O leilão da coleção de jóias de Lilly Marinho rendeu US$ 11 milhões, ontem em Genebra.
- Cartões de Crédito: O faturamento de R$ 18,4 bilhões esperado para os cartões de crédito em maio será, se confirmado, o segundo maior da história, menor apenas que o de dezembro de 2007, de R$ 21,5 bilhões. 98,6 milhões de cartões de crédito deverão estar em circulação no País no fim de maio. 30,2% do faturamento do setor, R$ 5,55 bi, está em SP.
- Atendimento: O setor de contact center cresceu 8,5% em 2007, com faturamento de cerca de R$ 17 bilhões, de acordo com estudo da Abrarec (associação de relações entre empresa e cliente) e a E-Consulting, consultoria de TI, internet, mídia e telecomunicações. O setor abrange centrais de atendimento próprias e terceirizadas, SACs (Serviço de Atendimento ao Consumidor), televendas, recuperação de crédito, e outros. Do faturamento total, as operações de SAC são responsáveis pelo maior volume de receita, cerca de 65%. As operações terceirizadas respondem por 35% do setor, com faturamento de R$ 6 bilhões.
- Incentivo: Um dos principais investidores estrangeiros no Brasil, a Espanha se prepara para promover uma “segunda onda” de aplicações no país, dessa vez com ênfase no incentivo à ação de pequenas e médias empresas.
- Varejo I: Acompanhando o bom momento do varejo, os shopping centers melhoraram o resultado no primeiro trimestre deste ano.
- Varejo II:A alta de 12% das vendas no comércio varejista do país no primeiro trimestre é a maior na série histórica do IBGE, iniciada em 2001.
- Drogarias: SDE arquiva 21 denúncias contra farmácias por concorrência desleal. Redes enfrentam resistências de drogarias locais por oferecerem desconto maior.
- Eletrônicos: As operadoras de telefonia móvel mantêm o foco na convergência de serviços e agora miram em realizar parcerias com fabricantes de notebooks para oferecerem aparelhos móveis e modems e chips de terceira geração (3G) embarcados (embutidos, na linguagem técnica).
- Alimentos: O mercado de sopas industrializadas, que deverá movimentar mais de R$ 300 milhões este ano, ganha novos concorrentes com Swift e Fugini. As líderes do setor são Nestlé (Maggi) e Unilever (Knorr). No país, 37% da população consome esses produtos.
- Combustíveis: Até agora, 67% da cana processada na safra 2008/09 no Centro-Sul foi direcionada à produção de álcool o maior percentual já alcançado, segundo levantamento da Única. A previsão da entidade para o fim do ciclo era de 58% em favor do álcool.
DROPS Emprego:
- Setor de açúcar e álcool criou 80% dos empregos industriais de SP. Índice subiu 2,75% em abril, no confronto com o mês anterior, segundo Fiesp.
Sem comentários »Profissionais assumem cargos diferentes da formação
Folha de S. Paulo - 06/04/2008
IGOR GIANNASI
Durante muito tempo, os médicos achavam que Isaac Gil, 57, diretor clínico do Hospital Santa Paula, em São Paulo, fosse administrador de empresas. Cardiologista formado em 1976, ele, na verdade, atuou pouco tempo na medicina.
Gil chegou a abrir um consultório, mas logo decidiu dedicar tempo integral à gestão administrativa na área de saúde. “Se eu continuasse na esfera médica, talvez fosse só mais um”, considera. “Agora, con- sigo ver os dois lados.”
Esse caso do médico administrador é um exemplo de como profissionais “invadem” áreas que não são exatamente aquelas ligadas ao seu passado acadêmico.
“A formação, assim como a escola em que ela foi obtida, é um detalhe importante mais no início da trajetória profissional”, aponta Gilberto Guimarães, presidente do Grupo BPI.
Técnicos X líderes
Segundo ele, na hora de escolher um candidato a um posto de gestão, as realizações que o profissional obteve na carreira são mais relevantes. “Elas comprovam que ele está preparado para o próximo desafio.”
Uma prova de que a experiência pode falar mais alto do que a formação é a existência de bons técnicos com competências de liderança que deixam a desejar, na avaliação de Brunna de Campos Veiga, gerente de desenvolvimento organizacional da Caliper Estratégias Humanas.
“Em dois anos, é possível fazer um curso de especialização. Mas, nesse período, não se aprende a ser um bom líder”, compara Veiga.
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Atenção à era do cliente do conhecimento!
Entrevista com Gilberto Guimarães - Revista Cliente SA.
www.clientesa.com.br/ março 2008
Reestruturação. Palavra que assusta executivo e funcionários ao ser cogitada em qualquer empresa. Ela pode vir de revisão do modelo de negócio, ou novas oportunidades e, com ela, a perda do investimento em conhecimento, além de provocar um problema social e ter um problema de imagem associado á marca. Nesta Entrevista Exclusiva, Gilberto Guimarães, que dirigiu várias empresas no Brasil e hoje e o responsável pelo crescimento da francesa Groupe BPI no País, conta como foi o surgimento da empresa, que nasceu com foco de Outplacement, e se multiplicou em direção à consultoria. Ele é veemente ao falar sobre mudanças que o cliente do conhecimento está impondo ás empresas em todo o mundo e as oportunidades mercadológicas das empresas tradicionais ás do conhecimento, como Google e Yahoo. Ou do relacionamento, como Orkut.
A BPI acabou se transformando numa das maiores empresas de consultoria e planejamento, com 70 escritórios espalhados pelo mundo, faturando 120 milhões de euros. No Brasil, inicio suas atividades com um grande desafio: reestruturar a Brasil Telecom, projeto que teve um dos maiores índices de recolocação da BPI, com 93% das mais de cinco mil pessoas dos vários estados onde atua. Guimarães, que é autor dos livros “Esta Desabalada Carreira” e “Reestruturando Vidas e Empresas”, fala de experiências, novo perfil da área de recursos humanos, como a inovação afeta a empresa e o surgimento da sociedade do conhecimento dentro das empresas, transformando em cultura organizacional o grande desafio pela própria sobrevivência.
“A gestão do conhecimento é a grande arma para as empresas manterem seus negócios e enfrentar um cliente cada vez mais participativo e exigente, que não sai mais ás compras sem consultar o produto que quer adquirir. Essa nova realidade impõe mudanças nas empresas, das mais tradicionais e conservadoras, às de vanguarda, formando uma nova frente de profissional - O do Conhecimento.”
Quem é o Gilberto e como ele chegou à BPI?
Sou engenheiro formado pela Universidade Politécnica de São Paulo. Logo depois de formado, fui trabalhar em grandes empresas de informática que, na época, iam buscar engenheiros da Poli para formar suas equipes, tanto técnicas quanto comerciais. Em paralelo, comecei a fazer meu mestrado em Pesquisa Operacional na Getúlio Vargas. Comecei a dar aulas na FGV e segui com a carreira executiva. Foi então que comecei a viajar muito e abandonar um pouco o meio acadêmico. Anos depois voltei ao meio acadêmico, e reintegrei o corpo docente da FGV, bem como do IBMEC São Paulo, onde dou aulas de reestruturação de empresas. Reestruturação passou a ser minha nova área. Hoje, dirijo no Brasil a BPI, criada na França há 20 anos, exatamente para apoiar empresas em processo de reestruturação. A legislação européia determinava que, se as empresas durante o processo de reestruturação, demitissem pessoas por razões econômicas, elas teriam de ajudar essas pessoas a se recolocarem. E toda a lógica do negócio é a montagem de um plano que tem o objetivo de, antes da reestruturação, reduzir o volu¬me de rupturas de contrato de trabalho, diminuindo a quantidade de desligados e ajudando aqueles que foram desligados a encontrarem um novo desafio profissional. Em função disso, a BPI cresceu muito. Nos últimos 20 anos, houve um maior volume de reestruturações. E o Brasil hoje está entrando também nesse novo mundo, nesse tempo de grandes mudanças.
A que você credita esse crescimento?
A BPI está presente hoje em 1 7 países, fortemente na Europa, Brasil, Estados Unidos e em alguns países no norte da África. Na Ásia, nossa atuação ainda é pequena, pois lá o desemprego ainda não é uma situação tão dramática e, na verdade, está em processo de estruturação, ou seja, é uma fase de entrada de empresas, a consolidação de novos mercados. BPI cresceu muito por meio da quantidade de empresas em reestruturação. Hoje, é uma empresa de consultoria geral em recursos humanos da ordem de 120 milhões de euros de faturamento, o que é muito para uma empresa de consultoria em re¬cursos humanos. No Brasil, o primeiro grande trabalho foi no ano de 2000, com a Brasil Telecom. Um grande projeto que teve como diferencial nosso índice de recolocação, que foi, e ainda é, dos mais altos. A BPI recoloca no mercado, em média, 87% das pessoas em menos de quatro meses. No caso da Brasil Telecom, foi fantástico. Foram 93% das mais de cinco mil pessoas dos vários estados em que a operadora atua. É importante falar tudo isso, porque o mundo mudou. Em função disso, a carreira também mudou. Tenho dois livros no mercado e dou aula nas universidades em cima desses temas. Um desses livros é sobre carreira, que é um dos trabalhos básicos da BPI. O livro se chama “Desabalada Carreira”. Aliás, é o mesmo nome do meu blog. E o outro livro se chama “Reestruturando Vidas e Empresas”, porque quando você reestrutura uma empresa, modifica a vida de milhares de pessoas. E é esse processo que me leva a definir qual é o novo perfil dos recursos humanos e o que é esse mundo, o que é a gestão de pessoas nesse novo mundo.
Mas em que nível vocês atuam?
Em todos os níveis. É claro que 80% dos desligamentos vem da base. Esse é o grande diferencial da BPI, porque ela faz o outplacement de porteiro a presidente. Outplacement não é só um benefício, na verdade, é uma ação social econômica para toda a estrutura da empresa.
E qual a justificativa para o negócio dar certo?
Primeiro, as empresas contratam a BPI por uma questão de obrigatoriedade legal, depois porque a imagem é afetada durante as grandes reestruturações. Basta olhar¬mos o que está acontecendo com uma grande rede varejista que está passando por um processo de reestruturação e demitiu 25% da diretoria; isso sempre gera um desgaste. No Brasil, além de desgaste, gera um volume muito grande de demandas judiciais. O Brasil é um país maluco. Temos 2,5 milhões de ações judiciais por ano, coisa que não existe em país nenhum. Ao apoiarmos as pessoas, a demanda judicial cai a praticamente zero. Em todos os nossos clientes, o volume de demanda judicial é quase nulo e o custo disso é muito baixo. Há um benefício enorme para a empresa, porque a imagem divulgada é muito importante e a empresa precisa de uma imagem pública adequada. O fato de elas ajudarem pessoas que foram demitidas, recolocando-as, é de extrema importância. E para a pessoa é essencial, porque ela recebe não só os valores legais, como normalmente existem adicionais que a empresa oferece por ano de casa. Então, ela recebe 40% da multa de fundo de garantia, o próprio fundo de garantia, verbas rescisórias legais e extra legais. Além disso, em menos de quatro meses ela terá outra renda. Isso para a pessoa é fantástico. Esse tipo de programa e processo tem crescido bastante porque é bom para o profissional e também para a empresa.
Como é essa mudança de visão em recursos humanos?
A grande mudança no conceito de recursos humanos é a grande mudança do capitalismo. Aos fatores de produção, fatores básicos do capitalismo, temos que levar em consideração um novo fator, que é o conhecimento e que Peter Drucker chama de sociedade do conhecimento. Hoje, as grandes empresas são criadas praticamente sem capital, sem dinheiro envolvido. Microsoft, Cisco, Hp, Yahoo, foram criadas pelo conhecimento, pelo bom uso da informação e não por uma injeção de capital financeiro. Isso significa que hoje, o trabalhador do conhecimento é o grande profissional, é o profissional do amanhã, é aquele que põe em execução seu conhecimento e não a sua força física. Na verdade, o conhecimento é um produto extremamente inovador. É um produto que você produz, vende, entrega e continua com ele. O trabalhador do conhecimento realiza o grande sonho do Marxismo; ele é dono das ferramentas de trabalho e do produto do seu trabalho. Quando a empresa demite uma pessoa, desliga todo o conhecimento que aquele profissional leva com ele. É por isso que hoje a gestão de recursos humanos tem que ser entendida como a gestão do conhecimento que, por sua vez, não e mais aquela ferramenta que registra o conhecimento. É, sim, a capacidade de influenciar pessoas a fazerem o que deve ser feito, de conseguir manter em outras pessoas da empresa o conhecimento desenvolvido por cada membro de sua equipe. Esse é o novo desafio do gestor de pessoas.

O senhor está falando de um novo trabalhador?
No fundo, não é só um novo trabalhador. Isso é generalizado, pois agora também existe o “cliente na sociedade do conhecimento”. Antes, o vendedor dispunha da especialização, entendia do produto ou serviço que estava sendo vendido, enquanto que o comprador não sabia nada. O cliente vinha até vendedor perguntar o que era bom para ele. Isso não é mais realidade. Hoje, antes de chegar ao vendedor, o cliente já pesquisou na internet, nas comunidades especializadas, usou todas as fontes de informação e, ouso dizer até que ele entende tanto quanto o vendedor. O vendedor tem que entender esse cliente do conhecimento como um igual. Não existe mais a possibilidade de “fazer a cabeça dele”. Agora, o vendedor deve influenciá-lo de maneira a que ele resolva adotar a solução que tem certeza que é melhor para ele, porque o convence disso. Isso vale para telemarketing, cobrança, negociação e venda direta, etc, para todo tipo de negócio. Este treinamento para formação do vendedor na sociedade do conhecimento é o grande desafio do RH. A maneira como você trata seus empregados, será a maneira como seus empregados tratarão os seus clientes, não se esqueça disso.
Como seguir essa cultura?
A evolução do processo de mudança é a mesma em qualquer mudança social. Ela sempre passa por três fases. A primeira fase é chamada de normalidade. Se todo mundo faz de um jeito, eu também vou fazer. Ou seja, a normalidade não é quando todos fazem algo, mas quando a maioria faz. Então a normalidade se espalha. Uma vez que esta normalidade virou moda, é criado o conceito de moralidade. Se todo mundo faz ou se a maioria faz, deve ser correto, e vira ético e moral fazer desta forma. Na sociedade do conhecimento, ainda estamos na fase da normalidade. Depois dessa fase, a sociedade cria a fase da Legalidade, ou seja, estabelece uma regra dizendo que o correto é ser feito desta forma e quem não o faz é errado. Se estamos ainda longe da moralidade, estamos mais longe ainda da legalidade. E é por isso que encontramos uma forte incoerência entre a nova postura do trabalhador do conhecimento, que trabalha sem horário, em casa, sem controle de produtividade e a CLT, por exemplo. A legalidade antiga e a nova normalidade são aspectos difíceis para o gestor de pessoas harmonizar.

Quem está quebrando esses paradigmas?
As empresas que criaram a nova, normalidade são aquelas fortemente calcadas no conceito de conhecimento, aquelas que necessitam do “produto conhecimento” com mais intensidade. É claro que vamos encontrar isso em fábricas de software, agências de publicidade, agências de créditos, financeiras e menos freqüentemente na área industrial.
Mas o cliente do conhecimento está em contato com qualquer empresa?
Sim, e ele é um cliente jovem, bem informado, socialmente bem colocado. A geração que nos precede provavelmente nunca se preparou para fazer uma compra. A que virá agora, depois de nós, nem imaginará sair para um processo de compra sem antes pesquisar na internet e junto aos amigos sobre o produto. Por isso, hoje o fator mais importante para o marketing é o marketing de rede, o marketing viral, o boca-a-boca nas comunidades. E é isso que a publicidade tradicional não atinge. É claro que quem faz a propaganda vai dizer que seu produto é o melhor, mas isso não cria credibilidade em um cliente do conhecimento. Esse novo mundo exige novas mídias, novas formas de fazer.
Como as empresas estão se preparando para atender esse cliente?
Em linhas gerais, não é só um desafio para o RH. É um desafio maior ou igual para os profissionais de marketing e eles têm que entender isso. Ao lançar um carro novo, saiba que a credibilidade vai ser conseguida muito mais por outras mídias, como internet e opinião de especialista, do que na publicidade que o cliente do conhecimento vai assistir no intervalo da novela das 20h.
Qual a percepção do cliente quando liga para uma área de atendimento?
É importante lembrar que não existe mais o conceito do coletivo, aquela generalização muito comum na administração. Cada cliente é um indivíduo importante. Um líder não lidera equipes, e sim, pessoas. Cada pessoa é uma individualidade. Se, para uns, você tem que apenas mostrar e valorizar o novo, para outros, deve demonstrar que aquele é o melhor produto. É tratar a pessoa de acordo com seu perfil. Essa mesma técnica deve ser levada ao vendedor ou ao operador do call center. Você percebe que cada pessoa é diferente e isso significa que não dá mais para ter um script engessado, um roteiro que vem na tela e é usado em todas as ligações. É preciso se adaptar ao interlocutor do outro lado. Essa é a grande dificuldade no treinamento de pessoas, sobretudo, em televendas e telecobrança. Também é a diferenciação entre o modelo antigo e o modelo novo. Existe, sim, um novo jeito de vender e de liderar pessoas. Em resumo, o que a empresa tem que entender é que, hoje, existem novas maneiras de liderar, novos profissionais do conhecimento e novas maneiras de se vender para os novos clientes do conhecimento. A empresa e o profissional que não mudarem, serão ultrapassados.

A mudança fica mais clara na internet?
Mais ou menos, pois quando se fala de internet, ela é só um meio do conhecimento e não um produto em si. Costumo dizer que as empresas têm que, a cada dois a três anos, se reinventarem, senão serão ultrapassadas. Como a Motorola foi ultrapassada pela Nokia e como a Nokia está sendo ultrapassada pelo iPhone. A Kodak também foi ultrapassada pela fotografia digital num piscar de olhos e agora ela corre atrás para tentar reverter e voltar a ser líder em um mercado que perdeu. Como é que faz?
E quem decide a mudança? O presidente?
Estamos entrando no assunto da reestruturação de empresas, que é uma das especialidades da BPI. Normalmente, quando a empresa entra nesse processo, não é por decisão de uma única pessoa, mas sim, uma reação à deterioração do negócio. As empresas começam a reestruturação quando perdem a liderança. Não é por uma unica decisão de um CEO. Normalmente, esse CEO passa a ser parte do problema e não é o mais indicado para liderar a reestruturação. Tem que ser alguém novo, de fora, porque quem está dentro não enxerga mais os problemas. Isso é humano. Nos acostumamos com o que temos, por melhor ou pior que seja. Esta característica é uma grande vantagem para o ser humano, permite a adaptabilidade, mas é, também uma grande desvantagem porque pode impedir de se ver e corrigir os problemas.
Sem comentários »A vez do cliente do conhecimento
“As empresas precisam estar alertas – das conservadoras às competitivas – à nova realidade do mercado, antes da água bater no nariz.”
Clique na imagem e assista a entrevista concedida por Gilberto Guimarães para última edição da revista Cliente SA.
Sem comentários »Comunicação e informação
O sucesso de uma reestruturação depende muito de uma boa comunicação.
A maioria das empresas, no entanto, prefere ser reativa, não comunicando mas respondendo quando solicitada. É um grave erro pois “alguém” vai assumir esse “vácuo” de informação.
DROPS Empresas:
- Pão de Açúcar demite 20 diretores; em apenas uma semana, o novo presidente do Pão de Açúcar, Claudio Galeazzi, demitiu 20 diretores de áreas diversas. Segundo Abílio Diniz, não se trata de uma reestruturação, mas de um “regimezinho” para deixar a companhia mais ágil. O comunicado oficial deve ser divulgado a próxima semana. No ano passado, a rede de supermercados já havia cortado mais de 300 funcionários. Em 2001, houve outra demissão em massa. Mas o corte da semana passada provavelmente é o maior já feito no alto escalão nos últimos tempos. No último mês, as ações do Pão de Açúcar subiram mais que o Ibovespa.
- As quatro apostas, da IBM, são enormes. Cada uma delas receberá US$ 100 milhões nos próximos dois a três anos, na esperança de que gerem pelo menos US$ 1 bilhão, cada, em novas receitas. Os projetos: inventar um sucessor para os atuais semicondutores, desenvolver computadores capazes de processar dados com eficiência muito maior, usar matemática para solucionar complexos problemas empresariais e produzir grandes grupos de computadores operando como uma única máquina - uma abordagem baseada em redes de computação distribuída, apelidada de “computação em nuvem”.
- Maior resseguradora do mundo, a Swiss Re, que irá atuar com escritório de representação no Brasil, pretende assumir no país a mesma participação que tem globalmente, no prazo de três à cinco anos.
- A Coty, empresa francesa de produtos de beleza e perfumes, assinou contrato de licença com a Playboy Enterprises para desenvolvimento de uma nova linha de perfumes masculinos com a marca Playboy.
- A Renault, montadora francesa, anunciou que pagará US$ 1 bilhão por 25% da russa Avtovaz e mais US$ 166 milhões se a montadora atingir até 2010 suas metas de desempenho.
- A Cerberus Capital, firma americana de “private equity” que comprou a Chrysler, não pretende revende-la para obter um lucro rápido, garantiu Jim Press, vice-presidente do conselho da montadora americana.
- O HSBC anunciou que iniciou negociações exclusivas com o francês Banque Fédérale des Banques Populaires, que ofereceu US$ 3,2 bilhões para comprar subsidiárias do banco britânico na França.
- A Alcoa, produtora americana de alumínio, informou que concluiu a venda de sua divisão de embalagens, que utiliza a marca Reynolds, para a Rank Group, da Nova Zelândia, por US$ 2,7 bilhões em dinheiro, e que usará os recursos para construir novas fundições.
- A carioca Embelleze, fabricante de produtos para os cabelos, negocia parceria com um grande grupo indiano, vai reforçar as vendas no mercado externo e se prepara para um futuro lançamento de ações.
DROPS Economia:
- Crise do subprime: 57% foi avanço de execução hipotecária nos EUA em janeiro em relação ao mesmo mês do ano anterior; 90% foi o aumento das apreensões de imóveis pelos bancos em janeiro ante o mesmo mês do ano anterior.
- Commodities são refúgio contra dólar fraco; medo de recessão americana faz investidor buscar em petróleo e ouro aplicação mais rentável e segura.
- Vendas de automóveis pela internet já movimentam R$ 6 bilhões no país e crescem rapidamente, embaladas pela maior confiança e acesso a computadores.
Sem comentários »Desemprego na América Latina
A taxa de desemprego vem caindo não apenas no Brasil, mas em toda América Latina.
Não é fruto de medidas isoladas de cada governo, mas sim resultado dos bons ventos da economia mundial.

(Fonte: OIT com base em projeções dos países e do FMI)
Sem comentários »Notícia Econômica
Inflação de commodities e dos alimentos acaba compensada pela desvalorização do dólar no mundo. Ou será que é o inverso?
A desvalorização do dólar que provoca aumentos dos preços das commodities e alimentos para compensar as perdas?
De qualquer forma, esta queda de braço, em algum momento vai ter um vencedor.
DROPS Carreira:
- Direito da FGV lança o seu primeiro mestrado.
- Anhembi usa BSP para atrair público executivo.
- O governo de São Paulo lança hoje seu programa de estágios. Pela primeira vez, serão oferecidas 12 mil vagas, em todas as repartições, para estudantes do ensino médio e universitário.
DROPS Empresas:
- Após quase 50 anos, o grupo São Martinho, um dos maiores produtores de açúcar e álcool do país anunciou que vai se desligar da Copersucar até o fim da safra 2007/08, que termina em abril.
- Na contramão: o lucro do Banco do Brasil caiu 16,3% em 2007, para R$ 5,05 bilhões.
DROPS Economia:
- Arrecadação cresce 18% mesmo sem CPMF.
- Inadimplência de empresas cresce 2,7%, afirma Serasa.
- Juros bancários têm a maior alta desde 2001.
- Dólar rompe R$ 1,70 pela 1ª vez desde 99.
- Euro supera US$ 1,50 e atinge a maior cotação ante o dólar.
- Riscos de estagflação e queda na confiança dos consumidores preocupam nos EUA.
DROPS Empregos:
- Mercedes-Benz contrata 500 por um ano em São Bernardo.
Sem comentários »CLT e trabalho religioso: Não apenas as evangélicas, mas todas as religiões estão afetadas
- Revelada a assinatura de um acordo trabalhista entre o rabino Henry Sobel e a Congregação Israelita de São Paulo, que ele presidiu até outubro de 2007. Sobel receberá uma indenização de, pelo menos, 7 milhões de reais pelos serviços que prestou à congregação. (Revista Veja – 06/02/2008)
- O Vaticano espera que o governo assine a “Concordata”.
Sem comentários »Situação assemelhada, decisões totalmente opostas:
por José Roberto Romeu Roque
EUA - com a crise financeira internacional, para acalmar investidores e incrementar a atividade economica (reduzindo possibilidade de recessão), o governo americano (Bush) solta pacote de redução de impostos e o FED reduz significativamente a taxa de juros;
Brasil - o governo brasileiro continua sua vocação para aumentar impostos (e dane-se a atividade economica empresarial) e certamente o COPOM está preparando um aumento de juros para conter a crise.
Quem tem vocação para o crescimento, e quem tem necessidade de crescimento para melhorar a justiça social ?
Sem comentários »Profundidade do Poço
por Cecilia Brandileone
A volatilidade vem pegando todos os mercados em cheio.
Diferentemente de outras semanas, até ações e valores de commodities e de países emergentes tiveram quedas significativas. Todos os dias em que o mercado tentou abrir no positivo, os ganhos foram devolvidos até o final do dia - um indicador de extremo pessimismo.
No médio prazo, acreditamos que o pacote de estímulo à economia anunciado por Bush, somado aos cortes agressivos de juros pelo FED, devem dar pelo menos algum suporte à economia e, consequentemente, ao mercado.
O mercado que até pouco tempo atrás não estava nem caro nem barato, começa a oferecer algumas pechinchas. No entanto, talvez a prudência indique que o melhor é aguardar uma tendência de alta antes de voltar a investir em risco.
Tentar adivinhar o fundo do poço é difícil e perigoso.
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